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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Número de refugiados da Síria atinge 2 milhões e intervenção militar dos EUA no país ganha discussão no G20

A ONU também pede apoio para tratar dos problemas ligados ao alto índice de refugiados.

refugiados-sirios* Imagem/G1

O quadro atual da Síria levou a Agência de Refugiados da Organização das Nações Unidas a acreditar que o país tenha alcançado o maior número de refugiados em comparação com outras regiões que também estão em situação difícil, chegando a uma média de 2 milhões. Este alto índice foi alcançado num cenário de guerra civil que ocorre desde março de 2011. A ONU tem pedido mais apoio internacional para lidar com a questão, que também se torna alvo de grandes discussões no encontro do G20, que iniciou nesta quinta-feira (05).
A situação da síria se agravou após o ataque, de natureza não esclarecida, sofrido no último dia 21 de agosto, na região de Damasco, resultando na morte de aproximadamente 1400 pessoas, entre homens, mulheres e crianças. O fato atraiu a atenção de todo o mundo para o país e para o perigo de novos ataques com uso de armas químicas. Entre os países que expressaram mais interesse em intervir na guerra estão os EUA e França.
Os Estados Unidos planejam fortalecer o movimento rebelde (a decisão ainda será votada no congresso até o dia 9 de setembro), e a França aguarda posicionamento do governo dos Estados Unidos. O assunto da intervenção deve dominar grande parte das discussões no encontro de líderes no G20, em São Petersburgo, na Rússia, onde o presidente Barak Obama tenta convencer os outros dirigentes a punir o regime Bashar AL- Assad pelo uso de armas químicas, mas discussão ainda vai durar, pois há forte oposição ao plano “Barak Obama”.
A França teme que este apoio aos rebeldes sírios possa fortalecer os extremistas islâmicos, porém a Rússia deixou claro será possível um apoio aos EUA, se for provado que o ataque com arma química tenha partido do governo Bashar AL- Assad contra os civis. Segundo a Casa Branca, a ação dos EUA tem como objetivo prevenir e inibir o potencial do país para uso futuro de armas químicas ou outras armas de destruição em massa. E quanto a esta ação, o governo do Irã afirma que armas químicas são apenas um pretexto para atacar a Síria.
A China e o Irã são importantes aliados do governo Bashar al-Assad e tem poder de veto contra qualquer resolução sobre a Síria no âmbito do Conselho de Segurança.

Atendendo à proposta da ANAJURE, Congresso Nacional Brasileiro aprovou Moção de apoio às minorias étnicas e religiosas em situação de vulnerabilidade na Síria 

Uma declaração proposta pela ANAJURE, acerca da tragédia humanitária que acontece atualmente na Síria, ganhou voz na Câmara dos Deputados no dia 08 de maio, por meio de um requerimento solicitando Moção de Apoio à Declaração de IstambulO requerimento foi aprovado pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.
A ‘Moção de apoio a Declaração de Istambul’ foi elaborada pelo Deputado Federal Roberto Lucena (PV-SP), que afirmou já ter enviado a aprovação para o embaixador da Síria no Brasil, Mohamad Kheir Daghistani, ao embaixador das Nações Unidas no Brasil, Luiz Alberto Figueiredo Machado, e à Presidente Dilma Roussef. 
A Declaração de Istambul foi lançada mundialmente, no dia 15 de abril, pela Religious Liberty Partnership (RLP) e as organizações ligadas à ela, como é o caso da ANAJURE, com objetivo de pedir ao Embaixador Especial das Nações Unidas atenção especial às minorias étnicas e religiosas vulneráveis na Síria. No evento, também fizeram convocação para um dia designado à oração por aquele país.

Guerra Civil

No início, a rebelião tinha um caráter pacífico, com a maioria sunita e a população em geral reivindicando mais democracia e liberdades individuais. Porém, aos poucos, com a repressão violenta das forças de segurança, ela foi se transformando em uma revolta armada.
O regime argumenta que a rebelião é insuflada por terroristas internacionais, com elos com a rede terrorista da Al-Qaeda, e que está apenas se defendendo para manter a integridade nacional.
O conflito tem sido marcado por derrotas e vitórias dos dois lados, apesar de o governo ter ganho terreno nas últimas semanas.
Em junho, a administração Obama prometeu "apoio militar" aos rebeldes, embora a ajuda ainda esteja indefinida, e a rebelião é cada vez mais dominada por militantes islamitas com vínculos com a rede terrorista da Al-Qaeda.
O governo sírio vem negando ter usado armas químicas, apesar de haver denúncias falando em evidências que contrariam a afirmação. No entanto, observadores da ONU foram autorizados a irem até o local para investigar se houve uso de armas químicas. Se confirmado, o incidente pode se tornar o mais grave com uso de armas químicas no planeta desde os anos 1980.

Estatística e situação dos refugiados

A guerra civil que a Síria enfrenta desde 2011 já deixou um saldo médio de 110 mil mortos, destruiu a infraestrutura do país e gerou uma crise humanitária regional. Na dificuldade pelo conflito, mais de 2 milhões de sírios deixaram o país rumo aos países vizinhos, provocando uma crise de refugiados e aumentando a instabilidade da região.
De acordo com o comissário das Nações Unidas para os refugiados, a grande de fuga de homens, mulheres e crianças pelas fronteiras, pode elevar o número de refugiados para 3 milhões até o fim do ano e segundo a ONU, esta seria a pior crise desde o genocídio de 1994 em Ruanda e poderia criar uma geração perdida, sem base para reconstruir a Síria.
De acordo com a Agência de Refugiados da ONU, 97% dos refugiados estão em países vizinhos, o que sobrecarrega a infraestrutura, economia e sociedade do local. É o que mostra a realidade atual do Líbano, onde habita um refugiado para cada seis habitantes libaneses, resultando em aproximadamente 716 mil pessoas. As agências que os acolhem tem apenas 47% dos recursos necessários para atender as necessidades básicas.
A Jordânia e Turquia estão em segundo e terceiro lugar no ranking dos países que mais recebem refugiados sírios. O Iraque está na quarta posição.
Fonte:ANAJURE
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Por ANAJURE: Angélica Brito l International Press Office